TAMAÑO LETRA
Numa sociedade marcada pelo "marketing de imagens", os estilos juvenis podem transformar-se em "armas de resistência". Assim, os jeans remendados e gastos ou o vestuário em "segunda mão" podem representar uma rejeição do "ethos" dominante do moderno consumismo; os cortes de cabelo dos jovens africanos "rap" podem afirmar-se como um símbolo de convivência étnica ou "soluções estéticas" a uma pluralidade de problemas criados por ideologias racistas. Porém, as culturas juvenis são mais do que rituais de resistência. Reflectem um desejo de existência, correspondendo, frequentemente, a afirmações de sociabilidade, como no caso das filiações associadas às chamadas tribos urbanas. Por outro lado, no caso da festa dos rapazes vimos que só aparentemente as transgressões podem ser lidas como perturbadoras da ordem. Pelo contrário, a subversão é uma manifestação de conversão, permitindo reforçar a ordem social. Por último, nas chamadas "escolas do diabo", a hipótese de investigação equacionada sugere que as condutas rotuladas de "violentas" podem ser efeito da aversão das crianças ditas violentas a uma escola que não sabe como as acolher nem como lhes incutir sentido de responsabilidade e disciplina. Nas escolas sentem-se em reclusão. O fechamento étnico ou identitário -assumido ou imputado- em nada ajuda à sua integração. Neste caso, a pesquisa sugere que a violência mais visível - em actos ou palavras- pode mascarar formas ocultas de violência que, de tão sutis, passam despercebidas, embora se teçam nas tramas do quotidiano.
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